A capital do Império Otomano

Por Diogo Lucato

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Nesta volta do Alquimídia, nada melhor do que recomeçar com um ensaio sobre Istambul. É verdadeiramente simbólico, pois meu último trabalho foi nos balcãs, terra que permaneceu por 5 séculos sobre domínio Otomano e cuja capital era Constantinopla, atual Istambul.

Coração do império que deixou marcas profundas na região balcânica, em todos os aspectos. Da religião muçulmana a música. Da culinária aos costumes. Tudo isto elevado ao cubo, como uma capital de império deve ser. Com suas mesquitas grandiosas, seu exuberante palácio e seus mais de 13 milhões de habitantes. Rivaliza com Londres como a mais populosa da Europa.

Cidade que ocupa as duas margens do estreito de Bósforo e o norte do mar de Mármara, que une a Ásia a Europa. Uma metrópole em dois continentes. Este é o lugar por onde passei.

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Acampados Plaça Catalunya

Por Diogo Lucato

Democracia em estado puro. Essa é a única frase que me ocorre ao tentar definir os protestos que sacodem a Espanha a quase duas semanas. Os chamados indignados, ocupam praças em todo o país, onde diariamente realizam assembléias ao ar livre, abertas a qualquer um que tenha o que falar.

As propostas são votadas pelos que estão na praça com um simples levantar de mãos e as que recebem maioria de votos passam a integrar um manifesto. Tudo é votado por todos. Do que fazer com o dinheiro arrecadado pelo movimento, as propostas de mudança para o país. De assembléias de bairro a assembléias gerais. Grandes caixas de som, amplificam a voz dos que estão ao microfone.

A praça Catalunha, em Barcelona, está dividia em alguns setores. Setor da comida, que cuida da horta e distribui almoço gratuito. Setor de comunicação, que conta com uma rádio, blog, divulgação de notas para a imprensa e armazenamento de imagens. Setor da limpeza, responsável pela coleta seletiva e a administração, que controla as ações. Todos os trabalhadores são voluntários.

Claro que este pseudo-oásis da democracia contemporânea também tem seus problemas. Grande parte das pessoas que circulam pelo acampamento, são turistas atraídos pelo clima pacífico-revolucionário que impera na praça, mesmo sem entender do que se trata. Outros são atraídos pela comida gratuita e o clima de festa que dita o ritmo das madrugadas.

O material fotográfico tenta transmitir esta atmosfera. O sentido coletivo do dia, das assembléias, dos debates e o sentido particular da noite, da conversa entre amigos, do individual. 24h acampado na praça Catalunha.

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Gellert Baths, Budapeste

Por Diogo Lucato

Prestes a completar seu centenário, o Gellert é a casa de banhos mais tradicional de Budapeste. Um complexo de arquitetura espetacular, com piscinas, saunas e águas termais ricas em minerais que ajudam no tratamento de diversas enfermidades da pele e respiratórias.

Amplamente difundida na cultura húngara, esta tradição foi trazida pelo Império Turco-Otomano no século XIII e rapidamente se espalhou por todo o país.

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Ainda vermelha, Budapeste.

Por Diogo Lucato

A proposta era clara ao partir de Barcelona com destino a Budapeste. Buscar os símbolos comunistas remanescentes desta antiga Red Star, 20 anos após sua queda. Curiosidade de um fotógrafo brasileiro, pisando pela primeira vez em terras da ex-URSS.

O que levava de suporte teórico para tal viagem, eram as referências da arquitetura soviética. A valorização dos espaços e estruturas grandiosas, para reforçar a idéia da “pequenice” do homem em relação a grandiosidade do estado. Partindo deste princípio, cheguei.

A primeira impressão foi avassaladora. Para quem buscava apenas símbolos, fui mergulhado em uma estética vermelha. A simetria e a grandiosidade das construções, com suas linhas duras e sóbrias impressionam. Um lugar onde boa parte da população tem acesso aos bens básicos, mas é efetivamente pobre, também dá mostras de que o antigo sistema ainda está muito presente. Um sistema trocado por outro, um tal capitalismo em crise, que custa em florescer.

Abandonados como o antigo sistema, boa parte dos prédios, ruas, pontes e pessoas localizadas fora da zona “turística”, levam suas vidas numa espécie de “regime de transição”, como que parados no tempo.

Foi esta a espinha dorsal do ensaio realizado em 72 horas na capital Húngara. As profundas marcas do antigo sistema e deste outro que ainda não está. Um estado grande de pessoas, ainda, pequenas.

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Mostrando os dentes

Por Ricardo Martensen

Três casas de distância da minha encontra-se a única exceção da rua: em meio à tantas viúvas e senhores desquitados, a casa 97 é um verdadeiro oásis de beleza natural. Uma mãe, que apesar da idade avançada ainda ostenta forma física invejável e sua filha, uma bela loirinha que tem por volta de vinte e poucos anos. Sempre tentei estabelecer um contato visual simpático e malicioso com a filha. Era só perceber que ela estava chegando em casa pra eu atrasar minha saída e forçar um encontro supostamente casual. Aí ficava olhando fixamente pra ela esperando que a gente cruzasse olhares. Nada. Entrava e saía de casa sem olhar para os lados, como se as calçadas da nossa alça de acesso fossem a passarela da São Paulo Fashion Week.

Certa madrugada, lá pelas duas horas da manhã, eu trabalhava na edição de um vídeo. Sou capaz de passar um dia inteiro bundando na frente do computador e começar a trabalhar lá pelas onze da noite. Aí a coisa flui e muitas vezes se estende até quatro ou cinco da manhã. A criatividade funciona melhor no escuro. Até o ruído constante dos carros da marginal se transforma no som das ondas do mar nessas horas. Estava eu lá compenetrado quando comecei a ouvir uns berros vindos da rua. Era um sujeito gritando muito alto e ao mesmo tempo dava umas cacetadas num portão fazendo um barulho desgraçado.  Era a voz de alguém bastante perturbado. Fui até a janela e descobri que o barraco todo vinha da porta da Miss Vizinhança. Fiquei ali espiando por alguns minutos enquanto mãe e filha, assustadas, gritavam de dentro da casa mandando o cidadão ir embora. Ele, da rua, batia forte no portão de ferro e bradava um lance de abandono, de falta de caráter… Falava enrolado, mas não parecia efeito de bebida. Era um tanto assustador e lembrava esses caras que um belo dia saem de casa, comem um Big Mac e depois matam a namorada, a sogra e enfiam uma bala no meio da própria testa. Coisa pra programa do  Datena. Como eu não estava dormindo, fiquei escorado na janela um bom tempo tentando entender qual a motivação daquele show todo. Afinal de contas, quem não gosta de assistir um belo barraco? Ainda mais do camarote de onde eu estava. O problema é que depois de alguns minutos  o cara começou a ser repetitivo e a coisa passou a ficar chata. Tive vontade de que ele parasse pra eu poder voltar pro meu trabalho. Esperei mais uns 5 minutos, mas ele continuava vomitando aquele papo cíclico de corno esquizofrênico. Tão alto que parecia estar no sofá da minha casa. Ninguém da rua se atrevia a interceder. Aí não me agüentei. Ainda receoso e protegido pelas grades da minha casa gritei do alto da janela. “Companheiro, deixa pra resolver esse problema amanhã. A rua inteira ta querendo dormir.” “Não se mete não que o meu problema é aqui.” falou o Lord Byron da Marginal. Fiquei puto. Me segurei um pouco mais. Não sou de briga e nunca tive vocação pras artes marciais. Além do mais, de pijaminha as 2 da manhã a tendência é se evitar o enfrentamento contra um psicopata em potencial. Resolvi tentar voltar ao trabalho. Impossível. Gritava muito alto aquele filho da puta. Se ainda falasse que ia tentar o suicídio, incendiar a casa… Mas não. Continuava com a mesma ladainha sem agregar nada de novo ao espetáculo. Até que me enchi o saco de vez e sai novamente na janela: “O seu corno, vai se fuder e choramingar na casa do caralho!” O sujeito não me respondeu nada, mas surpreendentemente diminuiu a voz a passou a ser mais razoável. Por sorte não demorou muito para a polícia chegar e rapidamente o Gardenal foi levado dali trazendo de volta a paz à nossa alça de acesso.

Desde aquele dia minha vizinha mudou o comportamento comigo. Passou a me cumprimentar efusivamente e abrir um largo sorriso sempre que me avistava. Acho que para ela, é como se eu tivesse saído de minha situação de passividade e tivesse assumido o papel de macho protetor. Com toda a virilidade que esta posição requer. É impressionante como mesmo depois de tantas Mercedes e BMWs por aí, o homem com uma clava ainda é uma imagem de adoração feminina. Pois bem, para a loirinha eu havia retirado minha clava do armário em grande estilo e parece que a imagem de Conan lhe é mais interessante que a de cineasta dono de vira-lata. Ah, ela que se foda. Vá procurar um macho no Juqueri.

 

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Arquivado em Crônica

Many Cultures

By Pedro Zullo

When Neil Bissoondath stated that “to accept the assigned role of multiculturalism … is to play to stereotype,” he stressed that multiculturalism labels people of different races or ethnic groups (537). In “I am Canadian,” Bissoondath also suggests that the Multiculturalism Policy is shallow and does not sufficiently consider an immigrant’s humanity. As different opinions about multiculturalism have been expressed in essays, books, and articles, there is much to be debated; therefore, it is difficult to simply agree or disagree (few sit on the fence). In countries like Canada and Australia that absorb much of the world’s immigrant contingent, multiculturalism policies are trying to integrate the immigrant into society through programs that affect the population as a whole. While I agree with Bissoondath on his assertion about multiculturalism, it is important to recognize the reasons that may have led Bissoondath to make his claim, such as the foundations of multiculturalism, multiculturalism seen as a political program not a social one, and how religion influences the acceptance of multiculturalism in Canadian society today. In fact, unfolding the multiculturalism paradigm will provide ways to understand how it stereotypes people, a problem similar to those the policy was intended to address.

Multiculturalism was not put into practice to allow minority groups to only express their culture in characteristic festivities. Since these groups want more as their freedom expands, this approach creates a conflict of interest. Visible minorities range from different nationalities to various religious groups. Michael Adams, in the book Unlikely Utopia: The Surprising Triumph of Canadian Pluralism, acknowledges the fact that Canada “can truly be called a global expert … in managing diversity” because of Canada’s national minority group (Quebecois), notable Aboriginal communities, and large immigrant populations (7). Dealing with all the demands coming from these groups, and at the same time required to satisfy the needs of a pre-existent society, politicians dating back to 1960 felt the urgency to create a system to equalize the general population under the same law. Similarly, Tariq Modood, in Multiculturalism, agrees with the sentiment of fairness in a plural ethnic society, and asserts that “some groups such as conquered nations like the Quebecois, indigenous people like North American ‘Indians’, ethnic minorities and newly settled migrants were making demands for the state to recognize them as distinct groups with specific historical grievances or cultural needs” (22).

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Arquivado em Contemporâneo

Fases de una vida oscura: Cynthia Salgado

Por Diogo Lucato

Imagens da primeira protagonista de um trabalho documental que estou desenvolvendo sobre as fases da vida de um cego. A reportagem consiste em registrar a rotina de deficientes visuais em diferentes idades, para comprovar como esta deficiência não impede que essas pessoas tenham uma vida saudável, ativa e independente. Uma criança, um adolescente, um jovem (entre 20 e 30 anos), um adulto (entre 40 e 55 anos) e um aposentado.

Começo pela história de Cynthia Salgado, uma hondurenha de 25 anos, que vive em Barcelona a 3. Cega desde os 14 anos devido a um grave problema na retina, encontrou na educação e na religião, forças para seguir em frente. Evangélica da Congregação Cristã Internacional (CCI) e formada em Direito, Cynthia procura ajudar outras pessoas através da palavra de Deus.

Todo o trabalho está sendo desenvolvido em Preto e Branco e com alto contraste, para reforçar uma sensação própria do mundo dos não videntes, que apenas percebem altas luzes e grandes contrastes.

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